CUSTOS HOSPITALARES

Guia prático para a gestão e redução!

Nunca se falou tanto sobre os custos hospitalares. Todos estamos sentido a pressão gerada pelo atual sistema de saúde e seu modelo de remuneração. 

Todos os elos da cadeia de prestação de serviços de saúde já perceberam a importância de uma eficiente gestão de custos, e que este é um caminho inevitável para trazer equilíbrio ao sistema. 

Os hospitais estão cada vez mais pressionados pelas operadoras, seja pela verticalização da saúde suplementar, retirando a demanda de hospitais privados, seja pela pressão por fechamentos de pacotes, auditorias exacerbadas e algumas vezes, glosas sem aparente fundamentação.

A gestão de custos hospitalares nunca foi tão importante para o sucesso das instituições de saúde.

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Neste texto abordaremos os seguintes temas:

1. Indicadores

Utilizando indicadores de desempenho para melhoria contínua e redução dos custos

2. Processos

Simplificando e adotando processos centrados no paciente

3. Gestão de Leitos

Como uma gestão de leitos eficiente pode aumentar a rentabilidade hospitalar

4. Protocolos Clínicos

A importância dos protocolos para a melhoria dos tratamentos e redução dos custos

5. Tecnologia

Como a tecnologia é fundamental na gestão; segredos sobre implantação; Como selecionar tecnologias.

1. Utilize indicadores de desempenho

Todo gestor já ouviu a seguinte frase: “O que não é medido não é gerenciado”. Os custos hospitalares não são nenhuma exceção. 

Neste capítulo abordaremos a importância da gestão através de indicadores, por onde começar, e quais os principais indicadores de custos hospitalares que podem ser acompanhados. 

Meça para poder gerenciar

Sem indicadores não é possível fazer gestão. Indicadores são necessários para entender a performance atual e também avaliar se mudanças estão tendo real impacto na melhoria dos serviços. 

A gestão por indicadores é tão importante que a ANAHP (Associação Nacional dos Hospitais Privados), principal referência em hospitais de excelência, apura mensalmente mais de 300 indicadores hospitalares de cada um de seus associados. 

Essa apuração é feita através do sistema SINHA, desenvolvido por nós da NCI Saúde, pois sem um sistema especializado seria impossível trabalhar com este volume de informação. 

Anualmente os indicadores são publicado no Observatório ANAHP, riquíssima fonte de indicadores do setor. 

Defina quais indicadores são importantes para a sua gestão, e com o apoio de tecnologia da informação, crie formas de medir tais indicadores. 

Recomendamos também a criação de processos para a avaliação periódica dos indicadores, e criação de planos de ação para a melhoria de desempenho. Voltaremos neste assunto no capítulo sobre processos.

Estabeleça uma BASELINE

Quando não se conhece o desempenho do estabelecimento, fica mais difícil saber quais são os passos que devem ser dados. Nesse caso, há maior probabilidade de realizar planejamentos incertos e inconsistentes.

Se não há medição de indicadores no seu hospital, não é o momento mais adequado para lidar com o planejamento dos custos hospitalares. 

Estabelecer uma baseline nada mais é do que registrar uma foto do seu cenário atual. Se você não sabe quanto custa uma Apendicectomia atualmente no seu hospital, como pode realizar um planejamento para a redução deste custo? Como poderá medir o progresso e acompanhar o resultado?

A criação da BASELINE é o passo zero de qualquer planejamento!

 

Quais indicadores são importantes para os custos hospitalares?

Infelizmente a gestão de custos não é uma atividade simples. Para realizá-la com maestria, é necessário acompanhar diversos indicadores com diferentes níveis de complexidade. 

Listamos aqui alguns indicadores de custo e receita, separados pela complexidade de apuração. Confira a lista:

Simples

  • Custos por grupo (pessoal, materiais, medicamentos, OPME, gases, manutenção, depreciação etc)
  • Custo total por paciente-dia
  • Custo total pela receita líquida
  • Custo total por saída hospitalar
  • Receita Líquida por paciente-dia
  • Receita Líquida por saída hospitalar
  • Margem líquida
  • Índice de glosas
  • Índice de inadimplência
  • Margem EBITDA

Intermediário

  • Custos por centro de custo (Centro cirúrgico, Exames de Imagem, Lavanderia, CME etc)
  • Ponto de equilíbrio por centro de custo
  • Margem de contribuição por centro de custo
  • Custo dos produtos de cada centro
  • Composição dos custos dos centros (Administrativos vs Auxiliares vs Produtivos)
  • Utilização da capacidade instalada por centro de custo

Complexo

  • Receita e custo por procedimentos (apendicectomia, parto normal, Cistectomia etc)
  • Receita e Custo por classificação DRG
  • Segmentação avançada de custo por médico / convênio / operadora / especialidade
  • Resultado por operadora
  • Resultado por pacote de procedimento

Apuração de indicadores de custos hospitalares

Separamos os indicadores em simples, intermediário e complexo para dar visibilidade do esforço esperado para cada nível de gestão. O ideal é que conforme o amadurecimento da gestão do hospital, adote-se métodos mais assertivos e infelizmente mais complexos.

Nosso critério para a classificação dos indicadores foi o seguinte:

Simples: Indicadores que são possíveis de coletar com dados da contabilidade e  dados operacionais, utilizando-se somente fórmulas simples. É viável o calculo e acompanhamento via excel.

Intermediário: Indicadores que exigem a implantação de um processo de apuração de custos mais elaborado. Os indicadores elencados nesta categoria exigem a implantação de custeio variável e também departamental por absorção. 

Para esses indicadores é possível o cálculo e acompanhamento via excel, porém não é recomendado. Chegam a ser necessárias mais de 100 planilhas, com diversas fórmulas complexas para realizar rateios. Neste cenário já é recomendado a apuração através dos módulos de custos de sistemas ERPs, ou então de ferramentas especialistas em custos como o KPIH.

Complexo: Definimos como indicadores complexos aqueles que requerem um avançado apoio de tecnologia. O acompanhamento de custo por procedimento com diversas segmentações depende de ferramentas de BI, que além de caras, o processo de implantação e customização é demorado. Para este cenário há a alternativa KPIH – Custo por paciente, que não é necessário customização pois já se trata de uma ferramenta especialista em custo por paciente.

Também entra nesta categoria indicadores de DRG, que além de precisar de um forte apoio de tecnologia, também depende de enfermeiras qualificadas classificando os pacientes com o DRG correto.

Resumo sobre Indicadores

Neste capítulo falamos sobre a importância dos indicadores e como realizar sua apuração. Nas etapas seguintes falaremos sobre a gestão de processos como utilizar indicadores para a melhoria dos processos e resultados das instituições.

Pontos Chave:

  • Ferramenta fundamental para gestão.
  • Meça para ser capaz gerenciar.
  • Não faça planejamentos antes de estabelecer uma BASELINE - Não terá como medir progresso.
  • Realize a apuração de custos hospitalares de acordo com sua maturidade de gestão.
  • Crie uma rotina de gestão para o acompanhamento dos indicadores.

2. Melhore seus processos

Do que adianta ter a disposição dezenas ou até centenas de indicadores se não os utilizarmos para melhoria de nossa instituição?

Neste capítulo abordaremos como a melhora de processos baseada em indicadores pode efetivamente melhorar a experiência dos pacientes, o resultado dos tratamentos e a saúde financeira da instituição. Nos apoiaremos nos conceitos de Lean Healthcare.

LEAN HEALTHCARE

Consiste em uma cultura de gestão eficiente, com foco na resolução de problemas. Prevê uma análise sistemática e contínua para que os processos continuem ágeis e adequados às necessidades dos usuários do serviço de saúde.

O termo Lean, se refere não somente a um modelo, mas também a uma filosofia de trabalho e pensamento. Nasceu após a segunda guerra mundial, e no Japão foi fortalecido como instrumento para recuperação dos efeitos da crise. Tem como expoente a implantação através do sistema Toyota de produção.

Lean Healthcare é uma interpretação do modelo Lean, originário da indústria para a realidade das instituições de saúde. Existem várias ferramentas e conceitos Lean que apoiam não só tarefas, mas também ajudam a reorganizar e visualizar processos internos e melhorá-los.

Esse modelo se baseia em compreender o fluxo de geração de valor da instituição e transformar a sua cultura por meio de melhorias no processo de gerenciamento e eliminação de desperdícios,  Aumentando a produtividade. 

 

LEAN e Just In Time

Lean significa “enxuto”, e o propósito esta focado em enxugar o processo da organização através de um conjunto de ferramentas.  Maximizar o valor para o cliente a partir da redução de desperdício é o seu objetivo.

Automatizar processos, reorganizar fluxos, reagir a problemas de maneira corretiva, atuar na causa, aumentar a produtividade, é a rotina de instituições com o pensamento Lean.

É necessário entender o que é valor para o cliente, e concentrar esforços nisso. A metodologia é orientada sempre para o cliente. Se para o cliente um tempo de resposta de 10 minutos em relação à tentativa de marcar uma consulta, ou a diminuição da fila de espera por uma revisão da logística na recepção fizerem a diferença, é sobre estas necessidades que uma organização enxuta deverá direcionar seus esforços de melhoria contínua.

LEAN e os Custos Hospitalares

Com a utilização inteligente dos recursos, é possível reduzir os custos hospitalares. O foco em eficiência conduz as organização para a mentalidade de fazer mais com menos.

Neste ponto, um grande problema enfrentado pelos hospitais está na cadeia de suprimentos. Podem existir problemas como:

  • altos níveis de estoque
  • utilização de itens com a data de validade mais recente ao invés da mais antiga, acarretando em maior chance vencimento de produtos em estoque;
  • falta de materiais e medicamentos que podem gerar compras emergenciais com custos extras.
  • Falha nos registros em conta de dispensação e devolução de medicamentos, acarretando glosas.

Com o Lean Healthcare é possível mapear os problemas e suas causas-raízes para que novos processos sejam traçados, e como consequência, se obtenha ganhos significativos na redução dos custos hospitalares. 

A maior eficiência dos processos pode reduzir a demanda por mão de obra, possibilitando a realocação de profissionais para áreas de maior geração de valor para pacientes.

LEAN e indicadores de desempenho

A metodologia lean se trata de melhoria de processos, então como medir progresso? Indicadores de desempenho! Todo processo que entra para o fluxo de melhoria LEAN deve ter um indicador, para que seja possível medir assertivamente as melhorias.

Para trabalhar com indicadores de processos, tenha o seguinte em mente:

  • Todo Indicador deve ter um dono. Ele deve ser responsabilizado pelo indicador, e por outro lado, ter autonomia para realizar as ações necessárias para melhorá-lo.
  • Uma pessoa não pode ser responsável por muitos indicadores. Recomendamos por experiência no máximo 5 indicadores. Um número muito maior do que este acaba gerando uma sobrecarga muito grande, e não será viável realizar melhorias relevantes.
  • Trabalhe com hipóteses. Reúna equipes para o levantamento de hipóteses de como melhorar determinado indicador. Selecione as melhores hipóteses, crie experimentos em cima delas, execute os experimentos e meça os resultados. Avalie e repita o processo até atingir sua meta.

Resumo sobre LEAN Healthcare e Processos

Neste capítulo falamos sobre a importância dos processos, sua interface com indicadores e como isso pode melhorar o resultado das instituições e reduzir os custos hospitalares. 

Pontos Chave:

  • Capacite sua equipe e crie uma cultura LEAN. Busque profissionais certificados para auxiliar na implantação do método.
  • Busque o desenho de processos centrados em gerar valor para os pacientes.
  • Avalie o desempenho dos processos com indicadores.
  • Cria uma cultura de experimentação focada na melhoria dos indicadores.
  • Crie uma rotina de gestão para o acompanhamento dos resultados.

3. Redução de custos através de uma gestão eficiente de Leitos

Uma gestão eficiente de leitos melhora indicadores ANVISA como:  taxas de ocupação, intervalo de substituição, índice de renovação. Desta forma o hospital aproveita melhor sua infraestrutura instalada, aumentado diretamente a produção de pacientes-dia e horas de centro cirúrgico, o que faz com que o custo unitário destes setores sejam reduzidos.

Reduza o tempo de permanência dos seus pacientes

A permanência do paciente além do necessário é um dos principais problemas que atingem a maioria dos hospitais.

Muitas vezes isso acontece, independentemente de ser rede pública ou privada, em decorrência de causas a como demora no processo de alta do paciente, recusa de desospitalização pelos familiares, dificuldades no pagamento, liberação do convênio, entre outros.

O aumento da permanência do paciente no hospital pode ocasionar riscos à sua saúde, dado que, quanto maior for seu o tempo de internação, maiores são as chances de contrair uma infecção.

Por outro lado, se a alta for dada antes da hora, corre-se o risco de ocorrer uma reinternação por conta do não cumprimento do tratamento por completo. 

A melhor forma de estabelecer estes tempos então é buscar por embasamento científico, e estabelecer protocolos de tempo de permanência e criar processos que acompanham a aderência da área assistencial à esses protocolos.

Tenha em mente: 

Menor tempo de permanência
=
Maior disponibilidade de leitos
=
Mais disponibilidade para a realização de cirurgias.

A realização de cirurgia é uma das atividades mais rentáveis para as instituições.

Seja proativo na gestão de leitos

A gestão dos leitos deve ser iniciada antes mesmo que o paciente chegue ao hospital. Para que todo o processo aconteça de forma eficiente, todos os setores devem estar sincronizados, tanto da área assistencial, que envolve os médicos e enfermeiros, quanto do setor de apoio, o qual corresponde às equipes de limpeza e rouparia.

A implantação de dispositivos tecnológicos para o gerenciamento de leitos hospitalares oferece diversos benefícios para a instituição, pois é possível identificar claramente os processos que interagem na ocupação, além de definir metas para os tempos de limpeza e liberação. Assim, a integração de todas as áreas do hospital permite uma visão simultânea de toda a demanda de ocupação.

Para a melhoria do fluxo de internações, é necessário envolver a qualidade e mapear todos os processos e setores envolvidos. Para isto um conceito bastante interessante é o Lean Healthcare, onde todos os processos são desenhados com foco em gerar valor para os pacientes.

Defina contratos internos

A criação de SLA’s (Service Level Agreement), certamente irá melhorar os resultados e reduzir o tempo necessário para a liberação de um leito para uso.

Este contrato de nível de serviço pode definir tempos limite para execução das atividades chave para a liberação de leitos.

Exemplo:

    • Após a alta de um paciente e sua saída do leito, o setor de limpeza tem 15 minutos para finalizar a sua atuação no leito após a sua notificação;
    • A rouparia tem 5 minutos para após a limpeza realizar a troca dos lençóis;

Para que este nível de serviço funciona bem, pode-se pensar em bonificações e penalizações para os funcionários das áreas envolvidas conforme seu desempenho e atendimento ao contrato de nível de serviço interno. 

Claro que para o pleno funcionamento deste tipo de programa, é necessário medir todos os tempos, e sem dúvida é necessário apoio dos sistemas de informação da instituição para isso.

Crie um programa de desospitalização

O home care tem crescido muito ultimamente, e não é em vão. Alguns pacientes ainda  demandam cuidados especializados, porém sem a necessidade de permanecer internado.

 O cuidado especializado pode ser dado no conforto da casa do paciente, um ambiente onde ele se sente muito melhor, e não corre o risco de infecção hospitalar.

O benefício para a instituição é que um leito que poderia ficar ocupado por um longo período se torna disponível para atender diversos outros pacientes. Isso pode aumentar a rentabilidade da instituição, possibilitando a realização de mais procedimentos. 

 

Resumo sobre Gestão de Leitos

Neste capítulo falamos sobre a importância da gestão de leitos e sua importância para atender uma quantidade maior de pacientes e reduzir os custos unitários.

Pontos Chave:

  • Um maior giro de leito tem potencial para trazer mais receita para a instituição.
  • Quanto maior for a ocupação do centro cirúrgico, menor é seu custo unitário.
  • Contratos de nível de serviço internos são um bom método de garantir a liberação de leitos rapidamente.
  • Programas de desospitalização podem ajudar a aumentar o giro de leitos.

4. Utilize protocolos clínicos

Neste capítulo abordaremos as dificuldades causadas pela não padronização de protocolos clínicos, e seu impacto nas compras, estoque, faturamento e gestão de custos hospitalares.

O que são protocolos clínicos

Segundo a definição do ministério da Saúde, protocolos clínicos são documentos que estabelecem:

  • Critérios para o diagnóstico da doença ou do agravo à saúde;
  • O tratamento preconizado, com os materiais e medicamentos apropriados;
  • Posologias recomendadas;
  • Mecanismos de controle clínico;
  • Acompanhamento e a verificação dos resultados terapêuticos;

Os protocolos clínicos devem ser baseados em evidência científica e considerar critérios de eficácia, segurança, efetividade e custo-efetividade das tecnologias e técnicas recomendadas.

Porque protocolos clínicos são importantes

Os protocolos clínicos são importantes por dois grandes motivos: Tratamentos com forte embasamento científico para os pacientes, garantindo maior segurança e efetividade, e também maior possibilidade de uma gestão eficiente.

A implantação dos protocolos não é simples. É necessário o apoio do diretor clínico, criação de comitês com a participação de médicos, onde é necessário a compreensão da necessidade se de adotar tais protocolos, levando em consideração os princípios assistências e também a custo-efetividade. 

Para um bom potencial da redução de custos, recomendamos iniciar a implantação pelos protocolos que mais surtirão efeito. Para fazer este levantamento é necessário avaliar o volume e custo dos procedimentos, buscando atacar procedimentos com maior volume, custo de tratamento elevado e também levar em consideração dados estatísticos como o desvio padrão e variância do custo. 

 

Protocolos clínicos e o impacto nos custos de suprimentos

É bastante comum encontrar materiais que só existem em estoque pois determinado médico só gosta de usar deste ou daquele tipo/marca. 

Nós gestores hospitalares temos que cuidar muito bem dos médicos, afinal eles tem um papel muito importante para nós. Além de colaboradores, eles são geradores de demanda para o centro cirúrgico. 

Independente disto, não podemos prejudicar os processos da instituição para agradar um ou outro. O ideal é envolver os médicos no processo de criação de protocolo, e um dos objetivos deve ser padronizar os materiais e medicamentos utilizados. 

Com a padronização, a área de suprimentos consegue ser mais eficiente nos que diz respeito aos custos hospitalares, pois será possível diminuir a quantidade de itens comprados, e aumentar seu volume. Com maior volume, há uma maior margem para negociação e descontos com fornecedores.

Outra vantagem é que os estoques ficam mais previsíveis, podem ser reduzidos, ocupando menos espaço físico e reduzindo o risco de vencimento de produtos.

Protocolos clínicos e o centro cirúrgico

O estabelecimento de protocolos clínicos é muito vantajoso para farmácias que atendem ao centro cirúrgico. Isso ocorre pois com a definição de protocolos, é possível criar kits com os materiais e medicamentos necessários de acordo com a cirurgia que irá ocorrer.

A separação dos kits pode acontecer com uma antecedência segura, e o kit inteiro pode ser parametrizado em sistema para registrar todos os itens na conta do paciente.

Um bom kit aliado a um bom protocolo deve reduzir a demanda de devoluções e dispensações, melhorando o fluxo de trabalho da farmácia que atende ao centro, e garantindo maior segurança para o faturamento.

Já que falamos do faturamento, o protocolo também é muito importante para essa área, pois ele garante embasamento para a cobrança. Fica muito mais difícil a realização de uma glosa quando há um documento criado pela instituição, com embasamento científico justificando os procedimentos, materiais e medicamentos que devem ser utilizados.

 

Resumo sobre Protocolos clínicos

Neste capítulo falamos sobre a importância dos protocolos clínicos e seu impacto nos custos hospitalares.

Pontos Chave:

  • Possibilita redução da quantidade de itens em estoque;
  • Menos itens com maior volume possibilita melhores negociações com fornecedores;
  • Criação de kits cirúrgicos melhoram o fluxo de trabalho da farmárcia;
  • O registro dos itens em conta fica mais confiável e com menor chance de glosas;
  • Gera embasamento para cobrança, ocasionando na redução de glosas;
  • Reduz os custos através do trabalho de padronização de materiais e medicamentos realizando avaliações de custo-efetividade;

5. Tecnologia

Hoje em dia não há mais como negligenciar os investimentos em tecnologia. Sem tecnologia é impossível realizar uma boa gestão, principalmente em hospitais, onde a quantidade e complexidade dos processos é muito elevada.

Neste capítulo abordaremos: 

  • A importância do apoio da tecnologia para os processos do dia e dia;
  • As melhorias que um ERP bem implantado pode trazer;
  • Em que contexto as ferramentas de BI são vantajosas;
  • o que sistemas especialistas podem fazer pelo seu negócio;

ERPs Hospitalares - Implantação

O mesmo ERP pode trazer excelentes resultados para uma instituição, e terríveis dores de cabeça para outra. A diferença entre as duas instituições? A implantação!

Não adianta investir para adquirir a ferramenta mais cara do mercado se a implantação não for bem dimensionada e realizada com o devido cuidado.

Diversos processos podem ser facilitados ou complicados pela tecnologia. 

Um bom exemplo é a autorização de guias. Em uma de nossas visitas aos clientes, percebemos um grande volume de guias de autorização caindo no sistema. 

Haviam duas pessoas em uma determinada área fazendo a triagem das guias. Tentamos entender melhor o porque desta necessidade, e então percebemos que 50% das guias que caiam em sistema para a solicitação de autorização eram desnecessárias. A operadora não exigia guia para esses procedimentos. As colaboradoras da área sabiam disto, e boa parte do seu trabalho era “descartar” essas guias do sistema.

Qual era o problema? Implantação. É possível parametrizar na maioria dos sistema quais procedimentos necessitam de solicitação de autorização. 

Qual o impacto disto nos custos hospitalares? Com o ajuste foi possível redirecionar uma das colaboradoras para outro setor. 

Para se aprofundar no assunto de implantação leia este artigo.

 

Inteligencia de negócio (BI)

As ferramentas de apoio aos processos geram um grande volume de dados. Estes dados podem, e devem, ser utilizados para a construção de indicadores estratégicos, que apoiam a gestão e redução dos custos hospitalares.

Para se utilizar destas ricas fontes de dados, surgiram as ferramentas de BI. Com elas é possível construir diversas visões baseadas nos dados da instituição e obter excelentes insights. 

E mais uma vez voltamos para o problema da implantação. Ferramentas de BI são extremamente flexíveis, e essa flexibilidade vem a um custo. Os dados tem as respostas, mas nós precisamos saber quais as perguntas corretas.

Neste aspecto, cada instituição precisa formular quais são as perguntas importantes, e normalmente a equipe de TI precisa estudar muito a estrutura dos ERPs e criar as visões e dashboards de acordo com a necessidade da instituição. 

Portanto não se engane, ao adquirir uma ferramenta de BI, ainda é necessário alocar um grande esforço interno para conseguir extrair os resultados desejados, e este processo normalmente é longo. 

Se flexibilidade é o critério mais importante para sua instituição, e a equipe de TI possui conhecimento e disponibilidade para a criação de relatórios e dashboards, então as ferramentas de BI podem ser uma boa alternativa.  

 

Softwares especializados

Como no nome já diz, são sistemas especializados em algum nicho e que se propõe a resolver os problemas da área escolhida com maestria

São criados baseados no princípio de que é preciso ser especialista para fazer algo muito bem. Um ERP precisa fazer muitas coisas, então normalmente é um sistema grande, com uma evolução lenta e que muitas vezes não consegue atender bem as especificidades de diversas áreas. 

Sistemas especializados por outro lado evoluem rapidamente, contam com suporte mais resolutivo, e não possuem a necessidade de grandes “viradas de chave”, aqueles momentos de troca de tecnologia dos hospitais no qual muita coisa pode dar errado.

Acreditamos que o ERP do futuro será constituído de diversos sistemas especializados, mantidos por equipes independentes, que evoluem cada um no seu ritmo e são integrados para a troca de informações.

 

Características dos sistemas especializados

Os sistemas especializados possuem algumas características importantes de serem avaliadas.

  • As "perguntas chave" já estão respondidas - pelo conhecimento do tema, as ferramentas especializadas já trazem relatórios e dashboards muito relevantes.
  • Implantação muito mais rápida em comparação com ERPs e BI's.
  • Demanda nenhum ou pouco esforço da equipe interna de TI.
  • Suporte especializado e com domínio do tema.
  • Evolução tecnológica e de funcionalidades mais rápida que ERPs e BI's.
  • Não são tão flexíveis quanto BI's.
  • Dependência do fornecedor para modificações.

Resumo sobre Tecnologia

Neste capítulo falamos sobre as tecnologias de operação e gestão hospitalar, sistemas ERPs, Plataformas de Inteligência de Negócio (BI) e sistemas especializados. 

Pontos Chave:

  • Implantar BEM um ERP é fundamental. Pode ser diferença crucial para processos eficientes.
  • Informações gerenciais são fundamentais para a gestão e obtenção de insights de melhoria.
  • Ferramentas de BI ou sistemas especializados são duas formas de obter as informações desejadas.
  • Escolha ferramentas de BI quando flexibilidade é o critério mais importante para seu hospital, e você tem equipe / orçamento de TI para ter profissionais dedicados ao aprendizado e customização dessas plataformas.
  • Escolha sistemas especializados quando eles atendem a maior parte das demandas já existentes sem necessidade de customização.

Se você precisa de apoio de sistema para melhorar os custos hospitalares, conheça nosso sistema especializado, o KPIH.

O que se lembrar sobre custos hospitalares

Para resumir este material em alguns tópicos que podem, efetivamente, melhorar a gestão de custos hospitalares na sua instituição, lembre-se dos seguintes:

  • Meça! Sem medir é impossível acompanhar o progresso e entender quais ações realmente geram resultados. Não é possível arrumar um quarto no escuro.
  • Invista em tecnologia! Medir manualmente é inviável. Estude um arcabouço tecnológico capaz de apoiar os processos de medição para os indicadores chave.
  • Entenda e melhore seus processos! Entre em profundidade, crie hipóteses de melhorias, faça poucas modificações por vez e avalie o resultado através dos indicadores. Somente assim é possível estabelecer relações de causa e efeito entre modificações e resultado.
  • Crie uma cultura de experimentação e melhoria continua! Deve fazer parte da rotina da instituição a busca por melhorias de indicadores. Com os incentivos adequados, apoio de ferramentas e técnicas é possível elevar o patamar da instituição.
  • Foque no que é importante! Qual a vantagem de fazer uma apuração de custos extremamente criteriosa para a Central de Material e Esterilização se sabemos que 90% do seu custo vai para o centro cirúrgico? Porque focar em reduzir os custos de um procedimento que ocorre uma vez por semestre, sendo que há procedimentos que são repetidos semanalmente na instituição?

Sobre a NCI Soluções em Saúde

Somos especialistas em gestão hospitalar e desenvolvimento de sistemas. Nossa plataforma de gestão de custos hospitalares já ajudou mais de 400 instituições a visualizar seus gaps e melhorar seus resultados.

Em parceria com a ANAHP, desenvolvemos o SINHA, o principal sistema de coleta e acompanhamento e benchmark de indicadores para os hospitais privados do Brasil.

Entre em contato conosco, leia nosso blog e conheça nossa ferramenta de gestão de custos! Estamos à disposição para te ajudar, discutir sobre o setor, esclarecer dúvidas sobre nossos textos e nossa visão.

 

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